Sentei no banco da praça. Estava quente. Muito
quente. Gosto de sentar nessa praça, É bonita e tem um ar de interior. Aliás, a
cidade é típica do interior. Bem cuidada, limpa, de gente boa. O estilo das
construções me fascina. Mas, não é da cidade que estamos falando. Tenho o
costume de sentar na praça e ficar lendo um livro. As horas passam voando. O pouco tempo de
descanso que tenho aproveito dessa maneira. Algumas vezes, ao invés de ler,
escrevo. Bem, nesse dia eu estava sentindo uma vontade de escrever. Comecei
observando ao meu redor, as casas, as pessoas, as plantas e foi surgindo uma
história. Em meu caderno comecei a rabiscar, algumas linhas risquei até começar
a escrever:
Eu não consigo ficar longe de você
O seu perfume me faz enlouquecer
No seu abraço eu me sinto flutuar
É do seu lado que eu quero estar
É uma sensação bela que me invade
Te encontrar provoca grande ansiedade
Não encontro palavras para explicar
Esse sentimento lindo, como é bom te amar
Mesmo ainda não tendo o seu amor
Me conforta hoje, pois seu amigo sou
Sou confiante e não perco a esperança
Ainda chegará o dia de trocarmos alianças
Estava tão
concentrado em meus pensamentos que nem reparei que uma moça havia sentado ao
meu lado e estava a me olhar fixamente. Olhei para o lado me assustei, mas
sorri.
- Oi, tudo bem?
- Tudo,
respondeu ela.
-Me assustei,
não notei que você estava aí... Porque me olha assim?
- Fiquei
curiosa, achei o seu olhar tão atendo ao que estava fazendo. Cheguei perto aos
poucos e vi que você estava muito concentrado, resolvi me sentar aqui e esperar
você me ver – disse ela.
Novamente
sorri. Achei tão legal a maneira que ela me falou isso. Fiquei um pouco
envergonhado, acho até que fiquei vermelho. Bom, calor no rosto eu senti. Só
não sei se foi pelo momento ou pelo calor do dia mesmo. Fechei meu caderno. A
moça me pediu o que eu estava escrevendo.
- Não é nada.
- Posso ver?
Ela me pediu com tanta delicadeza que não tive como dizer não.
Entreguei meu
caderno a ela, ela o abriu e começou a ler. Lia e sorria. Lia e sorria. Ao
final olhou para mim, seus olhos brilhavam e seus lábios vermelhos sorriam.
- Que lindo!
Quanto sentimento. O que se passa com você para escrever coisas tão belas?
- Sentimentos
aprisionados e solidão. É a maneira que encontrei de amenizar o colocar para
fora tudo isso.
Ela me explicou
que estava vivendo o mesmo que eu. Já havia tido muitas decepções com o amor.
- Eu também.
Amor é o negócio mais complicado que há. Não entendo como algumas pessoas tem a
sorte de amar alguém e serem correspondidos, muitas vezes na primeira paixão de
suas vidas. E outras, já terem se apaixonadas tantas vezes e sempre terem
sofrido.
- Assim é a
vida! Disse ela com um ar de decepção.
Já estávamos
falando de nossas vidas e nem sabíamos o nome um do outro. Me apresentei, e ela
se apresentou. Bom, agora já éramos ao menos conhecidos. Passamos mais um tempo
ali conversando. Olhei um pouco mais longe e vi que o céu já ficava vermelho, e
o sol já estava se pondo.
- Preciso ir.
Foi muito legal te conhecer! Nos vemos de novo?
- Claro, venho
aqui passear todos os domingos. Nos encontramos...
Nos abraçamos e
eu fui embora. Tinha uma certa estrada pela frente até chegar em casa.
E pelas curvas
da estrada, fiquei pensando nos caminhos que a vida nos mostra. Seria ela um
desses caminhos?
Autor: Vanderlei Holz Lermen